Nubank e Mercado Livre responderam juntas por 36% do crescimento do estoque de cartões de crédito no Brasil nos últimos 12 meses, segundo relatório do Itaú BBA. O Nubank lidera em volume e já é altamente lucrativo nesse produto. O Mercado Livre ainda dá prejuízo nos cartões, mas os analistas dizem que a virada de jogo da empresa ainda está por vir — e o motivo é estrutural.
No quarto trimestre de 2025, o Nubank praticamente dobrou o ritmo de expansão do portfólio de cartões em relação ao trimestre anterior, adicionando US$ 2,1 bilhões (R$ 11,4 bilhões). O Mercado Livre emitiu quase 3 milhões de novos cartões no Brasil, México e Argentina no mesmo período, ante 2 milhões no terceiro trimestre. A aceleração foi deliberada: a empresa melhorou seus modelos de crédito e integrou mais o cartão ao processo de compra.
A diferença de rentabilidade entre as duas é grande. A margem de juros líquida ajustada por risco dos cartões do Nubank está em 19%. O do Mercado Livre ainda é negativo, em torno de -6% a -7%, porque carteiras novas costumam dar prejuízo no começo. No Brasil, clientes mais antigos, com mais de dois anos, já são lucrativos.
Movimento silencioso
O ponto mais relevante está nas entrelinhas. O Itaú BBA observa que o crédito do Mercado Livre nasce dentro da transação: aparece no check-out, no parcelamento, no capital de giro do vendedor. A empresa sabe o que o cliente compra, quanto o lojista fatura e como é seu fluxo de caixa. Isso permite precificar risco melhor em certos segmentos. Ajuda a explicar por que o Nimal em empréstimos a consumidores e comerciantes chegou a 46% no 4T25, contra 19% do Nubank em empréstimos pessoais.
Os analistas apontam ainda um efeito que não existe no modelo do Nubank: quando o Mercado Livre concede crédito, clientes compram mais e vendedores vendem mais. Um único empréstimo pode gerar juros, taxa de pagamento e comissão sobre a venda ao mesmo tempo — o crédito alimenta o ecossistema inteiro.
Perspectivas para 2026
O Itaú BBA revisou para baixo as estimativas de lucro para este ano e vê as ações sob pressão no curto prazo. A queda estimada é de 22% no lucro operacional para o primeiro trimestre de 2026. A virada de margem deve ficar para o segundo semestre do ano. Mesmo assim, a equipe de analistas mantém recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 2.500 por ação e potencial de alta de 50%.
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